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Postado em 28/03/2020 às 15:47

Especialistas escrevem e-book sobre educação bilíngue

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Diante de tantas propagandas, dúvidas e falsas promessas de ensino bilíngue no mercado, as especialistas Fátima e Vanessa Tenório estão contribuindo para o esclarecimento do debate com a publicação do e-book "Educação bilíngue: Possibilidades no contexto brasileiro”. Amplamente informativo e apontando todas as referências bibliográficas no qual foi baseado, o material é gratuito e pode ser baixado no site systemic.com.br.

A educação bilíngue é definida como o ensino de conteúdo por meio de uma língua adicional para desenvolver ambos simultaneamente. A publicação – no formato de um booklet ou livreto, de 28 páginas – aborda fundamentalmente o ensino na língua inglesa e traz ao público um passo a passo sobre as abordagens e estudos do ensino de um idioma adicional lado a lado com o currículo escolar em diferentes países.

As autoras fazem um breve histórico crítico dos principais modelos de educação bilíngue no mundo, analisam a eficácia do ensino de outras disciplinas em uma língua adicional e os contextos que podem influenciar a escolha de determinada abordagem de ensino. Por fim, elas apresentam como construíram o primeiro modelo de educação bilíngue do Brasil, o Systemic Bilingual, em 1999, pensando na educação do novo milênio.

Professoras de inglês desde os anos 1980, Vanessa e Fátima Tenório utilizaram ampla pesquisa teórica e prática, contando com visitas a salas de aulas bilíngues nos Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, para formatar o Systemic Bilingual como um método de Content-Based Language Teaching (CBLT), focando na integração entre língua, conteúdo e competências.

“Desenhamos um modelo inicial de CBLT, implantamos o projeto piloto em 2002 em nossa escola de idiomas e buscamos formação mais sólida em nível de mestrado para dar suporte às nossas pesquisas. Durante alguns anos, refinamos o modelo, propondo e testando novas hipóteses a partir de observações de aulas e de resultados de alunos. Então formatamos o Systemic para ser implantado em escolas que desejavam oferecer uma educação bilíngue”, relembrou Vanessa Tenório.

Aprender inglês x educação bilíngue

Quase 20 anos depois, o Systemic está presente em 104 escolas em todas as regiões do Brasil, sendo utilizado por mais de 26.500 estudantes para aprender bem mais que inglês. Seu grande diferencial é utilizar elementos de ludicidade com o objetivo de estimular o prazer em aprender, para que a criança lance mão de suas potencialidades para montar sua própria linguagem no idioma estrangeiro.

Esta é uma diferença essencial que as autoras esclarecem no e-book, a distinção entre “aprender a língua inglesa” e estar, verdadeiramente, inserido em uma educação bilíngue.  Muitas escolas e modelos, apesar de toda tecnologia e propaganda, restringem-se a ensinar inglês a partir da instrução, ou seja, da repetição de sons, frases prontas, vocabulário e gramática, o que é bastante limitante para o desenvolvimento dos alunos.
 

“Por meio da educação bilíngue, a criança fica exposta a conteúdos relacionados às disciplinas escolares, a diversas formas de arte – plásticas, culinária, corporal, dramática –, aulas práticas e de campo, recursos de multimídia, entre várias outras ferramentas, o que enriquece enormemente seu repertório e busca sua motivação constante. Isso acaba por desenvolver outras competências muito buscadas pela educação moderna, como autoconfiança, autonomia, criatividade, pensamento crítico e capacidade de comunicação”, destacou Fátima Tenório. 

 

Para incentivar a continuidade do estudo e debate sobre o tema, a publicação traz uma rica referência bibliográfica ao final e uma lista de congressos e conferências internacionais sobre educação bilíngue.
 

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